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CHIEFS VENCE O SEU ÚNICO SUPER BOWL..
Ele estava sentado em sua cama sentindo-se muito mal, enjoado com câimbras em suas pernas e não conseguia de maneira nenhuma pegar no sono. O quarterback do Kansas City Chiefs Len Dawson olhou para o relógio, eram 4 horas da manhã de domingo, dia do Super Bowl IV.
Em menos de 11 horas Dawson seria supostamente o QB titular dos Chiefs no Super Bowl IV. Foi a pior semana de Dawson no ano. Uma lesão no joelho deixou o jogador fora da temporada regular por 6 semanas. Seu pai tinha morrido dois dias antes de um jogo importante e a sua chegada a New Orleans, casa da última final entre a AFL e a NFL veio acompanhado de muito desconforto e desconfiança após as notícias vinculadas na imprensa do envolvimento de Dawson em jogatina e apostas no futebol americano profissional, o jogador mais tarde seria inocentado, mas o estrago já estava feito.
Na cama ao lado o seu companheiro de quarto , o free safety Johnny Robinson, dormia profundamente roncando. Robinson tinha duas costelas quebradas resultado do jogo contra o Oakland na final da AFL, e tinha grandes dificuldades em respirar, mas pílulas para dormir faziam o jogador roncar e dormir profundamente. Dawson pensou na hipótese de tomar uma pílula dessas para tentar dormir, procurou pelo quarto mas não achou, logo as cãimbras e náuseas voltaram e o jogador passou o resto da noite no banheiro. Na terça feira (06 de Janeiro) de 1970, o programa "HUNTLEY-BRINKLEY REPORT" da NBC leu uma notícia que abalaria as estruturas de Dawson e faria daquela semana a pior da sua vida. "Em Detroit, um Departamento da Justiça Especial, conduzia o que eles chamavam da maior investigação de apostas em jogos da história americana, e que 7 jogadores de futebol americano profissional e um técnico do college seriam convocados a prestar depoimentos sobre o seu relacionamento com apostadores nos jogos de football". Um desses jogadores era o QB Len Dawson, que jogaria a final no domingo. Repentinamente naquela semana ninguém mais falava sobre Football, conclusões precipitadas foram tiradas e atribuiu-se culpa ao jogador antes mesmo dele ser julgado.
O Comissário da NFL, Pete Rozelle veio em defesa do jogador. Rozelle era um forte combatente em apostas nos esportes, sete anos mais cedo ele já havia suspendido dois jogadores Paul Hornung e Alex Karras por um ano inteiro porque eles tinham
apostados em partidas de football profissional. E poucos meses antes Rozelle já havia obrigado o herói do Super Bowl III, o QB Joe Namath, vender a sua parte num bar de Nova Iorque que era frequentado por apostadores. Os investigadores da NFL, descobriram várias falhas na investigação sobre o envolvimento de Dawson e Rozelle acusou a rede NBC de levar ao ar uma notícia totalmente irresponsável e sem fundamento. Mas a controvérsia já estava no ar e Dawson deveria estar com uma ansiedade incontrolável e ainda tinha que se concentrar para o jogo mais importante de sua carreira. O jogo para os Chiefs seria a grande chance de apagar a péssima imagem que ficou do Super Bowl I, quando a equipe foi massacrada pelo Green Bay Packers de Lombardi por 35-10.
Dawson levantou de sua cama foi até a janela e abriu parcialmente as cortinas, estava escuro ainda e fazia muito frio em New Orleans com temperatura recordes no ano. Ele começou a se concentrar nas jogadas e nas formações ofensivas que seriam mais seguras para minimizar seus erros. Após os acontecimentos daquela semana, Dawson tinha que estar preparado para tudo. E ele estava. O Kansas City Chiefs venceu o favorito Minnesota Vikings por 23-7, diante de 80.562 fãs e uma audiência nacional pela TV para todo o país.
Len Dawson foi eleito o "MVP" da partida terminando o jogo com 12 passes completos em 17 tentativas para 142 jardas, 1 touchdown e uma interceptação. O Head Coach Hank Stram dos Chiefs declarou após o jogo, "foi uma das maiores e mais corajosas performances para um QB em todos os tempos". A defesa do Chiefs teve um dia espetacular, o kicking game tambem teve um dia absurdamente eficiente (até hoje um dos melhores da história). O ataque inovativo dos Chiefs foi muito produtivo. Os Vikings que eram favoritos por 14 pontos, foram totalmente dominados no ataque e na defesa.
Hank Stram desabafou "Isso ainda me chateia". "Os Vikings eram um bom time, considerado por alguns o melhor da história da NFL". "Meus sentimentos pessoais são de satisfação e orgulho por sermos os últimos campeões da AFL, de participar do último jogo disputado entre uma equipe da AFL contra a NFL, mas o foco principal estava longe do Football".
A temporada de 1969 foi como na maioria do resto do mundo - caótica, violenta, emocionante. O homem cmainhando na Lua. As pessoas marchando em protesto contra o conflito no Vietnam. Havia notícias horríveis sobre o lunático Charles Manson e o seu culto suícida. Foi uma década de guerras, assassinatos, exploração, protestos de direitos civis e uma juventude turbulenta.
Bud Grant, o head coach do Vikings a concordava que o jogo ficou em segundo plano, devido ao drama vivido por Len Dawson, pelas suspeitas levantadas pela dupla de repórteres da NBC.
O quarterback do Vikings Joe Kapp era polêmico e visto com "louco" pelos seus companheiros e imprensa. Após a sua carreir na California, ele esnobou a NFL e foi jogar no Canada na CFL, lá ele virou lenda, ganhando um título pelo British Columbia Lions. Veio para o Minnesota em 1967 e se tornou o líder da equipe desde o primeiro dia em Minneapolis. O estilo de Kapp não era bonito de se ver dentro de campo, mas sem dúvida ele era um vencedor. Após a vitória sobre o Cleveland Browns na final da NFL, Kapp entrou no vestiário pegou a garrafa de Champagne e virou num só gole não deixando para ninguém, deu um enorme arroto foi para um canto e arremessou a garrafa nos armários estilhaçando a mesma em pedaços, esse era Joe Kapp. Na sala 858 do Hotel Fountainbleu na rua Tulane onde estavam hospedado os Kansas City Chiefs se tornou um centro de estudos.. Hank Stram e seu staff estudava a fita do jogo do Vikings contra o Browns pela final da NFL.
"A secundária do Vikings fica posicionado bem longe dos WRs umas 9 jardas", disse Stram. "Nós num primeiro momento não entendiamos como os adversários não viam isso e não matavam eles com passes rápidos pelo meio e slant". No filme estava a resposta. Os defensive ends do Vikings Carl Eller e Jim Marshall frequentemente paravam aqueles passes curtos, e pressionavam demais o quarterback, não era a toa que a defesa do Vikings tinha o apelido de PURPLE PEOPLE EATERS. Stram vislumbrou uma das chaves para a vitória importante, dizia na época - "se mantivermos aqueles dois ocupados o tempo todo, eles não terão facilidade em esticar os braços e desviar a bola toda hora". "Nós iremos de marcação dupla contra os dois o jogo inteiro", decidiu Stram após ver e rever o vídeo da final da NFL.
Defensivamente, o Chiefs teria que estar preparado para conter o jogo corrido pelo meio da defesa que o Vikings iria impor no jogo. Os RBs Bill Brown, Dave Osborn e Oscar Reed, eram enormes, perfeitos para manter o controle da bola no jogo. Além disso o center do Vikings Mick Tingelhoff era all-pro, excelente para tirar os linebackers do caminho de seus running backs. O head coach Bud Grant adorava usar muito o jogo corrido durante as partidas, era a base do seu jogo. A defesa 3-4 era rara na NFL, mas não na AFL. Era a base do Chiefs, e o plano era colocar os defensive tackles Buck Buchanan (6-7, 285) ou Curley Culp (6-1, 295) em frente a Tinglehoff, que era mais rápido mas bem mais fraco e menor (237), se Tinglehoff fosse bloquear alguns linebackers do Chiefs antes teria que passar pelas mulharas Buchanan ou Culp. O Vikings correu O JOGO INTEIRO para apenas 2 first downs no Super Bowl IV.
Os Chiefs entraram em campo com um Patch em suas jerseys escrito, "AFL-10", significando 10 anos de American Football League. Com pouco mais da metade do primeiro quarto o kicker Jan Stenerud inaugurou o placar num chute de 48 jardas, colocando os Chiefs em vantagem, 3-0. O "kicking game" do Kansas City foi um dos melhores de todos os tempos naquele dia, tanto Stenerud como o Punter Jerrell Wilson colocaram a equipe do Minnesota Vikings em posições dificeis de se iniciar um drive, e o Vikings era uma equipe que não tinha um ataque espetacular e precisava sempre de "field position" para se dar bem nos jogos.
No segundo período Stenerud anotou mais dois field goals (32 e 25 jardas) aumentando para 9-0 a diferença no placar para os Chiefs. No kickoff após o terceiro field goal de Stenerud, o returner Charlie West cometeu um fumble, Remi Prudhomme recuperou a bola para os Chiefs em território Vikings há apenas 19 jardas da endzone. Seis jogadas mais tarde , no 3º down o RB Mike Garrett anotou o touchdown numa corrida de 5 jardas, o placar iria então para 16-0 para o Kansas City Chiefs.
Apesar de estarem 16 pontos atras e ainda não terem anotado nenhum ponto, os Vikings voltaram para o segundo tempo da partida revigorados. Eles conseguiram parar o ataque do Chiefs forçando um punt, então conquistaram 69 jardas em 10 jogadas para o primeiro e único touchdown do Minnesota na partida.
O quarterback Joe Kapp esteve perfeito nesse drive com 4-4 para 47 jardas. O running back Dave Osborn numa corrida de apenas 4 jardas anotou o touchdown e a diferença era de apenas 9 pontos apesar do domínio do Kansas City na partida, 16-7.
O Kansas City retornou o kickoff para as 18 jardas em seu campo. Chegaram até a 46º jarda no campo do Minnesota. O quarterback Len Dawson fez um passe curto para Otis Taylor que levou a bola até a marca de 41 jardas, se livrou do cornerback Earsell Mackbee. O Safety Karl Kassulke estava próximo a Taylor, mas com um fake para a esquerda Taylor deixou Kassulke no chão. Esse lindo touchdown de Otis Taylor (46 jardas - 41 jardas YAC) eliminou qualquer chance de um comeback por parte do Minnesota.
No último período o Minnesota teve a posse de bola três vezes e nas três vezes o seu quarterback foi interceptado. O título estava garantido para os Chiefs e a AFL provou que tinha condições de fazer frente a poderosa NFL. Len Dawson que resistiu a enorme pressão a semana inteira por causa das denúncias infundadas em Detroit foi eleito o MVP da partida e isso selou o jogador como "one of the greates of all time" para o resto de sua vida.
  STARTING LINEUPS
 
VIKINGS (NFL)
OFF.
CHIEFS (AFL)
Gene Washington
WR
Frank Pitts
Grady Alderman
LT
Jim Tyrer
Jim Vellone
LG
Ed Budde
Mick Tinglehoff
C
E.J. Holub
Milt Sunde
RG
Mo Moorman
Ron Yary
RT
Dave Hill
John Beasley
TE
Fred Arbanas
John Henderson
WR
Otis Taylor
Joe Kapp
QB
Len Dawson (MVP)
Dave Osborn
RB
Mike Garrett
Bill Brown
RB
Robert Holmes
VIKINGS (NFL)
DEF
CHIEFS (AFL)
Carl Eller
LE
Jerry Mays
Gary Larsen
LT
Curley Culp
Alan Page
RT
Buck Buchanan
Jim Marshall
RE
Aaron Brown
Roy Winston
LLB
Bobby Bell
Lonnie Warwick
MLB
Willie Lanier
Wally Hilgenberg
RLB
Jim Lynch
Earsell Mackbee
LCB
Jim Marsalis
Ed Sharockman
RCB
Emmitt Thomas
Karl Kassulke
SS
Jim Kearney
Paul Krause
FS
Johnny Robinson

SUBSTITUIÇÕES  
MINNESOTA- OFFENSE: K-Fred Cox. P-Bob Lee. WR-Rob Grim. TE- Kent Kramer. LINE- Steve Smith, Ed White. QB- Gary Cuozzo. RB- Clint Jones, Bill Harris, Oscar Reed, Jim Lindsey. DEFENSE: LINE- Paul Dickson. LB-Dale Hackbart, Mike McGill, Jim Hargrove. DB- Charlie West. NÃO JOGOU: T-Doug Davis. LB-Mike Reilly
KANSAS CITY- OFFENSE: K-Jan Stenerud. P-Jerrel Wilson. WR- Gloster Richardson. TE-Curtis McClinton. LINE-George Daney, Remi Prudhomme. QB-Mike Livingston. RB-Warren McVea, Wendell Hayes ,Ed Podolak. DEFENSE: LINE-Gene Trosch, Ed Lothamer, Chuck Hurston. LB-Bob Stein. DB-Goldie Sellers, Willie Mitchell, Ceaser Belser. NÃO JOGOU: QB-Tom Flores.
 







 
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